Arujaense já ensinou mais de 4 mil policiais civis a usarem armas com precisão

0
75

Filho e neto de policiais, o arujaense Gustavo Marques é conhecido como investigador-chefe da delegacia de Arujá. Nem todos sabem, contudo, que ele é também professor concursado de armamento e tiro da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo. Desde que ingressou, em 2011, ele já ensinou cerca de 4 mil policiais a fazerem uso preciso de suas armas.

“Desde muito cedo desenvolvi uma fascinação por armas e tudo o que envolve esse universo. Sou de uma família de policiais e sempre vi as armas com naturalidade. Trabalhar como professor de tiro, portanto, é algo natural para mim e que me dá enorme satisfação”, destacou o investigador.

Dividindo seu tempo entre a chefia de investigações na Delegacia de Arujá e as aulas de tiro que realiza no auditório da USP e instruções práticas nas pistas de tiro da Academia da Polícia Civil em Mogi das Cruzes, além de dez outras unidades espalhadas pelo interior de São Paulo, Gustavo enfrenta uma rotina extremamente puxada, com dias alternados de trabalho em cada uma.

“Mas não reclamo disso. É recompensador quando você tem a oportunidade e o privilégio de trabalhar fazendo o que você gosta e vendo as pessoas evoluírem naquilo que vai ser essencial para a carreira delas. O trabalho demanda bastante, mas faço tudo com muita vontade e dedicação” enfatiza o profissional, que é casado há sete anos, tem um casal de filhos e já se preocupa com as evidências de que o filho poderá seguir os seus passos.

“Parece que está no sangue, mas a responsabilidade é tão grande que me sentiria mais tranqüilo se ele seguisse outra carreira. Mas, assim como meus pais respeitaram a minha escolha e do meu irmão, eu pretendo respeitar a dele se isso acontecer”, comenta.

 

Metodologia do FBI

O instrutor destacou que Academia de Polícia Civil de São Paulo adota a mesma metodologia de armamento e tiro da doutrina da Academia de Quântico, que dá formação e habilita os agentes do FBI nos Estados Unidos.

“As pistas de tiro são desenvolvidas no mesmo padrão do FBI. Nós temos vários níveis de habilitação. O policial, quando ingressa na carreira, passa por várias provas de tiro e vai evoluindo, gradualmente, em níveis de habilitação”, assinalou Gustavo Marques.

“No nível 01 o policial vai praticar manuseio de revólver. Em seguida, no que seria o Nível OP 2, aprende a manusear a espingarda calibre 12. E então, no nível OP 3, aprende a manusear a pistola. Ao se formar, tem habilitação para manusear revólver, espingarda e pistola”, disse.

Depois de formado, o policial pode ainda fazer cursos complementares para manusear outras armas. Os cursos incluem o TAT 1(submetralhadora); TAT 2 (fuzil), e EXTRAT, que é de habilitação de operador estratégico, o famoso snipper.

Para cada nível de habilitação há uma exigência. No curso de formação, o policial precisa ter 60% de aproveitamento. Nos cursos específicos, o índice varia de 60% a 100% de aproveitamento. O “snipper” precisa ter um aproveitamento total para ser habilitado.

“O atirador estratégico precisa ter 100% de aproveitamento ou não se forma no curso. É um grande desafio. Para todos os níveis são avaliados três itens: a conduta do policial com armamento, as normas de segurança e o critério de avaliação que engloba sua precisão, quantidade de acertos, técnicas, tiro sob em baixa luminosidade, etc.” detalha o professor.

“O treinamento é bastante puxado e precisa ser, pois se exige perícia do policial em situações nas quais ele precisa fazer uso da arma. Quando o policial se envolve em eventos com tiros, um professor faz uma avaliação para dizer se ele agiu dentro do padrão adotado e de acordo com o que lhe foi ensinado. É muita responsabilidade”, finalizou Gustavo Marques.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, comente
Coloque seu nome aqui