Neste dia dedicado às mães, o Jornal de Arujá conta a história de vida de duas mães de excepcionais, alunos da unidade da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (APAE) da cidade, que há quase trinta anos tem como missão zelar por crianças e adolescentes especiais, para que eles sejam aceitos e incluídos. Destacamos também a história de uma delas, que mesmo ainda não realizando o sonho da maternidade, faz o papel de mãe de sua irmã excepcional. São histórias que inspiram e nos fazem enxergar o amor sacrificial das mães, biológicas ou não, para com seus filhos, que é a base da família. ♥

Fabiana,
o milagre de Paula

Quando tinha um ano e meio, Fabiana Pereira foi diagnosticada com paralisia. Os médicos davam apenas mais um ano de vida para a menina. Quem conta essa história é a mãe, Paula Pereira, 40, residente no Jardim Real. Ela ainda diz que não tinha esperanças e acreditava que não teria mais a filha em seus braços.

Para piorar, o pai biológico de Fabiana resolveu abandoná-la após a descoberta. “A maioria dos pais não fica porque a mãe fica mais submissa à criança”, explica. A vida dela mudou radicalmente. Teve que abandonar estudos e emprego para se dedicar integralmente à filha.

Hoje, passados quase quinze anos desse episódio, Paula está radiante. No mesmo dia da entrevista a este Jornal, sua filha, a qual chama de “princesinha”, ganharia um aparelho auditivo. Fabiana freqüenta a APAE há doze anos e Paula e é só elogios à instituição, ressaltando que o trabalho deles foi e continua sendo fundamental para o desenvolvimento de sua “princesinha”.

No local, além de estudar, ela faz fisioterapia, o que a ajudou a não depender mais de aparelhos para andar. Por falta de adaptações estruturais, a mãe acredita que as escolas públicas e particulares demorarão muito para incluir excepcionais. Contudo, destaca que a cidade é uma referência no trabalho que desenvolve com pessoas com deficiência.

Umas das paixões de Fabiana é a natação, sendo freqüentadora de uma escola no Jardim Rincão. Ela já disputou três campeonatos, todos contra pessoas sem nenhuma deficiência. Como outras mães de excepcionais, Paula se ressente da discriminação que a filha sofre por sua condição, mas garante que isso acontece por pura desinformação.

Agora casada e com mais quatro filhos, Paula ressalta o apoio prestativo do marido nos cuidados de Fabiana. Além do auxílio a qual tem direito, a mãe vive de bicos como manicure. Apesar da mudança radical que teve, Paula garante que Fabiana foi o maior presente que Deus lhe deu.

“A minha filha me ajudou a amar, a respeitar e a ter paciência com a vida. O fato de voltar a escutar me dá a certeza de que valeu a pena todo o esforço ao longo dos anos”, destacou Paula, que criou Fabiana “com todo o carinho do mundo”. Um milagre de Deus que fez Paula mudar completamente o sentido da sua vida. Para sempre.


 


As três lições
de vida de Solange

Se criar um filho especial já é desafiador, imagine cuidar de três. É o caso de Solange Prado da Cruz, 39, residente no Mirante. Dos quatro filhos, apenas a mais velha não é autista. Ela diz que os primeiros sintomas apareceram quando os dois mais novos começaram a freqüentar a creche, até que em 2014, veio o diagnóstico final da síndrome.
A ciência classifica o autismo como sendo um distúrbio que ocorre em crianças antes dos três anos de idade. Elas, geralmente, não se comunicam, não interagem e não têm a mesma capacidade imaginativa das outras crianças. Foi o caso do filho caçula de Solange, Jeferson, que apresentou diferenças na fala e no caminhar.

Assim como outras mães, Solange teve dificuldades de matricular seus filhos em escolas. Apenas Jamile, a mais velha entre os três autistas, estuda em uma unidade da rede municipal de ensino. Apesar das dificuldades e limitações do sistema, a mãe diz que as responsáveis tratam sua filha de forma que ela seja aceita pelos demais colegas.

“Quando chego aqui parece que é o céu”, diz a respeito da APAE, onde os dois outros filhos freqüentam desde 2015. Apesar do enorme serviço prestado pela instituição, ela acredita que a cidade ainda carece de uma estrutura própria que venha a atender as necessidades dos excepcionais, pois as mães arujaenses têm que se deslocar para outras cidades à procura de ajuda.

Mesmo cuidando de três autistas, ela afirma que não tem grandes dificuldades na parte financeira. A família, principalmente o marido, tem ajudado muito. Ela não ainda recebe nenhum auxilio governamental, mas sabe que dos três, apenas um tem esse direito.A chegada dos filhos fez com que Solange pensasse muito mais no amanhã. Ela também afirma que os três, em particular, dão lições de superação e que sempre aprende coisas novas, todos os dias. Mas o amor que sente por todos os quatro é o mesmo, garante. Em uma frase simples, Solange tenta explicar o que é ter a missão de cuidar dos filhos: “Mãe é tudo. Não tem explicação”.


Jéssica, a “irmãe”
de Daniela

“Meu chaveirinho”. É com esse apelido carinhoso que Jéssica Domingos Costa Silva, 26, se refere a irmã Daniela, 25. “Ela vai comigo aonde eu for”, explica. Jéssica sempre tratou a irmã como um xodó, porém, até pouco tempo atrás, a realidade era diferente.
No último dia de 2015, um “terremoto” transformou de maneira profunda a família de Jéssica. A mãe, que sempre cuidava de Daniela, falecera de câncer aos 50 anos. Não sabendo o que fazer com a irmã, Jéssica deixou sob a tutela do pai.

“Omisso”, nas palavras de Jéssica, ele não soube cuidar direito da filha excepcional, chegando a dopá-la constantemente com medicamentos. Por um instinto maternal, Jéssica decidiu ser a tutora da irmã antes que algo mais grave acontecesse. Depois que Jéssica passou a cuidá-la, o pai nunca mais foi visitá-la.

Nesse ínterim, Jéssica largou o emprego, mudou de Guarulhos para o bairro do Mirante, em Arujá, e se dedica dia e noite a cuidar da irmã. Por indicação de uma prima, matriculou Daniela na APAE da cidade há dois anos.

Quando a mãe cuidava, Daniela estudava em uma escola voltada para especiais em São Paulo. Por temer maus tratos à filha, a mãe nunca chegou a colocar em nenhuma escola e nem em outra unidade da APAE. Assim como outros, o preconceito e a falta de inclusão na sociedade ainda fazem parte da vida de Daniela, segundo a “irmãe”.

Visivelmente emocionada, Jéssica conta que já teve momentos difíceis ao lado da irmã, incluindo fome. Hoje ela vive da confecção de pequenos artesanatos para sobreviver, complementando o benefício a que Daniela tem direito. Contudo, Jéssica se orgulha do apoio que recebe de familiares, principalmente de seu marido, nos cuidados à irmã.
A presença de Daniela foi aos poucos suprindo a ausência da mãe. Todos os dias, Jéssica aprende a se superar para cuidar da irmã, aprendendo mais sobre ela no dia a dia. No carinho e espontaneidade natural de Daniela, Jéssica encontra forças para seguir em frente. “Desde sempre a Daniela me ensinou a viver, a persistir e, principalmente, a superaros desafios da vida”, sintetiza a “irmãe” sobre seu “chaveirinho”.

APAE um porto seguro

Gisele Silva, da APAE, afirma que o terreno onde está instalado a unidade de Arujá há mais de 30 anos pertence à Prefeitura. Esse fato impede que, por exemplo, haja uma ampliação na estrutura do lugar o que, consequentemente, aumentaria o número de vagas na cidade.
Um dos principais desafios, por incrível que isso possa parecer, é o estereótipo que muitos pais de filhos excepcionais têm sobre o lugar. Muitos, com receio de possíveis maus tratos, não encaminham seus filhos para a unidade, diz Gisele.

Entre as diversas atividades que os alunos da APAE desenvolvem, há a prática de modalidades esportivas. Inclusive, a APAE arujaense será a representante do Alto Tietê nos Jogos Abertos do Interior da APAE, que será realizada na cidade de Franca, no mês de Julho. Gisele diz que a entidade precisa de doações para bancar as despesas da viagem. Pessoas interessadas em patrocinar podem ligar para Tel. (11) 4655-3438.

 

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