Desde 2014 a Subsecretaria da Igualdade Racial de Guarulhos, por meio das ações do Centro de Referência da Igualdade Racial, atua diretamente junto aos povos ciganos, e o assistente social da Pasta, Iranildo Marques, convive com um grupo de ciganos que estava alocado no Jardim Dinamarca.

Foi desta convivência que surgiu um artigo, escrito em forma de cordel, que integra o livro A História Oral na Pesquisa em Serviço Social – da Palavra ao Texto, do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Identidade (Nepi) da PUC-SP, que foi lançado na última sexta-feira (8).

O objetivo é dar visibilidade para esse grupo de pessoas, além de realizar e acompanhar ações de políticas públicas para a promoção da igualdade racial com esse clã cigano, que ficou na cidade até dezembro de 2018. “Eu falo sempre que a obra é singular, está com o meu nome, mas ela é fruto de um trabalho coletivo e de uma subsecretaria que te dá espaço, enquanto profissional, para a pesquisa”, comenta Marques.

O artigo conta um pouco de história, que começa com a luta da sociedade civil para a promoção da igualdade racial, levando em conta que o Brasil deixou invisível durante um longo tempo esses povos (negros, ciganos, indígenas etc.). “Para falar desses povos temos que lembrar essa luta, que começou lá atrás, e que é preciso políticas públicas que reparem esse erro histórico”.

Iranildo conta que esse clã buscou parceria com outras secretarias, como a de Saúde, para o atendimento preventivo de crianças e mulheres. “As ciganas não podem ser atendidas por homens em alguns exames mais íntimos. Então fizemos um mutirão, no Parque Jandaia, para realizar o atendimento lá. Isso foi uma das ações que ficou bem marcada, pois mantemos o respeito com a cultura deles”.

O gestor de Igualdade Racial, Anderson Guimarães, destaca a importância do estudo. “É necessário dar visibilidade a essa cultura, a essas pessoas, que tanto têm a acrescentar e a nos ensinar. E criar políticas públicas é isso, reparar esse erro histórico brasileiro”, destaca.

A subsecretaria tem mantido seu compromisso de atender os povos e comunidades tradicionais de Guarulhos, “respeitando o contexto histórico em que estão inseridos, a exemplo do referenciamento da UBS Dinamarca, que atende os povos ciganos na cidade”, conclui Guimarães.

“Não é o fato de o cigano viver em acampamento que torna a vida deles precária e em risco social, mas sim a falta de políticas públicas. Viver em acampamento pode fazê-lo morrer de pneumonia, mas como mostramos no artigo, mas se houver uma política pública que atenda de forma equitativa essa população, ela vai sobreviver”, argumenta Iranildo.

Texto: Vivian Lourenço – 2464-1035

Imagens: Divulgação/PMG

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, comente
Coloque seu nome aqui