A possibilidade de um recomeço. É o que o Instituto Bauman, unidade terapêutica localizada no bairro Estância Arujá, vem proporcionando literalmente às pessoas que, por diversos motivos acabaram se tornando reféns do álcool e das drogas e que desejam resgatar seu equilíbrio e seus valores para retomar a vida normal. A Instituição, fundada há dez anos, conta agora com o reconhecimento e parceria do governo do Estado, que patrocina 25 vagas do programa “Recomeço”, servindo não só Arujá, mas a região do Alto Tietê.

Instalado numa área de cerca de 10 mil metros de muito verde e uma paisagem natural bastante agradável, o Instituto Bauman tem capacidade para 27 internos, sendo que duas vagas são para atendimentos particulares, visando complementar as despesas não cobertas pela parceria com o Estado.  Atualmente, seu diretor, Daniel Bauman, luta para ampliar o atendimento com a disponibilização de 30 acolhimentos.

“A demanda na região é muito grande, mas nós entendemos que 30 acolhimentos é o número máximo para que possamos continuar trabalhando com um padrão de qualidade excelente. Nossa programação é realizada dentro do protocolo aprovado pela Febract (Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas) e é desenvolvida por um educador social e uma psicopedagoga, entre outros profissionais de apoio, trabalhamos de forma totalmente regular”, explica Daniel Almeida, idealizador e fundador do Instituto Bauman

Olhar Diferencial

Ele lembra que desde 2010, quando foi fundado, o Instituto procurou ter sempre um olhar diferencial para com as pessoas necessitadas de acolhimento. “Aqui nós acolhemos aqueles que querem, realmente, ser em tratados. Não aceitamos pessoas que venham obrigadas e normalmente elas chegam aqui através dos Centros de Referência em Atendimento Social (CRAS) ou Centros de Referência de Atendimentos Especiais (CREAS) da região, incluindo Arujá. O custeio dessas vagas é garantido pelo Estado”.

Daniel lembra que neste longo processo, desde a fundação até o atual estágio o trabalho foi intenso, e envolveu não só ele, mas toda a família. “Eu tive, na juventude, um envolvimento com drogas e, graças ao apoio de uma comunidade terapêutica, consegui me recuperar, desde então tive o desejo iniciar um trabalho, com um toque diferencial, para acolher e recuperar pessoas, acreditando realmente que o ser humano tem essa capacidade de se reerguer. Vendi um apartamento em São Paulo e iniciei, com ajuda dos meus pais, a compra desse espaço, onde hoje nós contamos com 07 dormitórios, sendo 5 suítes,auditório, campo de futebol, salão de jogos entre outros atrativos. Aqui em meio ao verde nós trabalhamos com estes seres humanos para que se reencontrem e resgatem seus valores em todos os sentidos”, disse.

Em 2011, Daniel com familiares e a psicóloga que dirigia as atividades no Instituto traçaram os novos pontos do que seria a Associação Instituto Reintegra. “Já tínhamos trazido para cá um casal que resgatamos da cracolândia entre o Jaçanã e Guarulhos e começamos o trabalho com uma receita bem caseira de amor, solidariedade, mas já com um olhar diferencial que era a presença de uma psicóloga para nortear o movimento. Foi um trabalho de formiguinha, feito com perseverança, principalmente no sentido de legalizar  nossa instituição que, finalmente em 2019 foi reconhecida pelo governo do Estado de São Paulo”, relatou Daniel Bauman.

Ao longo destes 09 anos passaram pela instituição cerca de 3.500 pessoas, sendo que a grande maioria teve condições de retomar sua vida normal. Atualmente são 21 pessoas acolhidas, já foram contabilizadas desde novembro 04 altas terapêuticas.  Normalmente o processo de recuperação acontece numa média de 05 meses.

Reconhecimento municipal

Na última semana o atual suplente de vereador Luis Fernando Almeida esteve visitando o Instituto, dando continuidade a um acompanhamento que realizava mesmo antes de se tornar vereador.

“Nós entendemos que o Instituto Bauman, dirigido pelo Daniel e sua equipe de terapeutas, é hoje uma referência no Estado de São Paulo, fortalecendo uma política pública que aqui em Arujá existe, mas ainda está engatinhando. Enquanto vereador nós abrimos as portas da Câmara Municipal e temos procurado, em conjunto com o poder executivo, levar ao conhecimento da sociedade o excelente trabalho que esta comunidade terapêutica desenvolve na cidade há muito tempo e que vem sendo fortalecido pelo Estado através do programa “Recomeço”.

Para Luis Fernando, é preciso que haja um reconhecimento a nível municipal. “Eu vejo que é bastante contraditório ter o Estado de São Paulo reconhecendo uma instituição que está aqui há anos e ver o município ainda engatinhando neste sentido. A minha visão vem no sentido de fortalecermos essa  instituição legalizada, que já desenvolve um trabalho reconhecido lá fora. Queremos que dessas 25 vagas ofertadas pelo Estado, se não no total, mas na sua grande maioria, elas venham ser ocupadas por munícipes de Arujá, porque infelizmente a nossa demanda é grande. E é isso que estamos buscando fazer, já que estamos diante de uma instituição bastante séria que busca a cada dia aprimorar este atendimento”, finalizou.

 

JORNAL DE ARUJÁ

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